After Swimming

•Agosto 4, 2009 • 1 Comentário

A água estava estranhamente quente e meu corpo afundou como uma pedra, meus pés tocaram o fundo calcário do lago e eu aproveitei a flexão dos meus joelhos para impulsionar meu corpo de volta à superfície. Quando emergi olhei para as bordas do lado à procura da entrada que havia visto do alto da plataforma em que estava. Localizei-a no outro extremo do lago, uma boca negra esperando para engolir o próximo a se aproximar.

Nadei até a praia rochosa próxima à entrada do túnel e me sentei ali por um instante, recuperando o fôlego.  Levantei-me, dei uma última olhada para a cachoeira e o lago e entrei no túnel. Era tão escuro e úmido quanto o outro fora, porém este era quente e abafado e parecia sempre descer. Curvas e mais curvas depois eu tinha a sensação de que centenas de milhares de toneladas de terra e rocha estavam comprimidas sobre a minha cabeça, essa sensação estava me dando náuseas. De repente uma lufada de ar fresco invadiu o túnel apertado e bateu em cheio no meu rosto.

Sob meus pés eu senti uma mudança estranha. Antes meus passos eram abafados pela terra fofa que estava acumulada no chão, meus passos passaram a ecoar nas paredes claustrofóbicas daquela garganta. Eu me abaixei e toquei no chão, era frio e liso, parecia revestido de lajotas. Eu continuei caminhando e o ambiente foi ficando mais claro. Logo as paredes e o teto também estavam cobertos por aqueles azulejos.

Mais a frente lâmpadas fluorescentes apareceram nas paredes, iluminando o túnel. As lajotas das paredes eram brancas, lisas, simples; não tinham nenhum enfeite. Eu segui adiante pelo túnel que agora se tornara tão frio quanto o aquele em que estivera antes de mergulhar no lago transparente. Tudo isso parecia ter ocorrido há dias, mas eu sequer tinha parado para descansar. Meu estômago já roncava de fome, e minha boca começava a secar com o ar frio do túnel azulejado. Tive a impressão de ouvir batidas abafadas vindo da frente.

Parei. Apurei os ouvidos e tentei escutar. Sim, havia batidas mais a frente. Como um imenso martelo batendo em uma bigorna envolvida por um pano para abafar o barulho. Eu continuei andando. O túnel que antes era retilíneo agora se tornara sinuoso. Curvas e mais curvas se sucediam à minha frente. Entrementes o som continuava a ficar mais alto. Quando atingiu o máximo de volume deparei-me com uma pesada porta de aço em minha frente. Aproximei-me e vi que ela possuía uma fechadura moderna e extremamente complexa. Tentei forçá-la, mas ela não cedeu. Encostei as costas na parede e escorreguei lentamente para o chão. Quando sentei no chão perolado um tilintar metálico se fez ouvir no túnel.

Eu pus a mão no meu bolso esquerdo e meus dedos tocaram algo frio e sólido: um molho. Levantei-me rapidamente e olhei as chaves. Uma delas, a mais requintada, chamou minha atenção. Eu olhei para a fechadura na porta e depois para a chave. Ela parecia caber. Introduzi-a na fechadura. Hesitei durante alguns batimentos cardíacos. Girei-a. Com um suave clique a porta destrancou. Eu retirei a chave e guardei o molho no bolso da calça. Encarei a porta, ouvindo o intenso e grave barulho que a atravessava, vibrando no meu corpo. Apoiei as mão no metal gelado e empurrei a pesada porta.

Walking through

•Agosto 3, 2009 • 2 Comentários

Eu caminhava por um corredor escuro e úmido. Ouvia um murmúrio suave de água ao longe. Não saberia dizer se de rio ou o quê. Eu parei temendo bater de cara com alguma coisa, mesmo uma parede seria um perigo. Estava tão escuro que eu não enxergava quase nada. Experimentei chacoalhar minha mão na frente dos olhos. Nada. Credo! Onde diabos é que eu estou? Abri os braços e minha mão direita tocou em uma parede úmida. Algo viscoso se prendeu a minha mão. Parecia… musgo? Eu estava debaixo da terra? Achei que fosse algum tipo de túnel subterrâneo. Mas vinha de onde e pra onde ia?

Continuei em frente, em frente?, caminhando lentamente seguindo a parede que minhas mão tateavam, lambuzando-se cada vez mais com aquela viscosidade inodora que eu não podia ver. Até que, como eu havia predito antes, bati com a cabeça em alguma coisa. Eu me acocorei segurando a cabeça que latejava barbaramente, xingando, obviamente. Levantei-me com cuidado e mantendo os braços pra cima. Minhas mão tocaram uma grande estrutura cilíndrica, provavelmente um cano. Eu passei por baixo e continuei andando.

Mais tarde, impossível determinar quanto tempo depois, eu reparei numa luminosidade azul que emanava do chão. Ela refletia no anel em minha mão. Eu me abaixei e passei a mão pelo chão. A luminosidade se transferiu para a minha mão, que passou a ter um brilho entre azul e argênteo. Mas que diabos…?! Rapidamente eu levantei e passei a mão na parede. Será que aquilo era o que eu estava pensando? Tomara que não. Se realmente fosse resíduo de Césio eu estaria morto em 24h. Com sorte, senão contrairia cânceres para o resto da vida.

Fui em frente. A luminosidade no chão ficou foi rareando, até que desapareceu. E eu voltei ao completo breu. O barulho de água ficou mais forte à medida que eu caminhava. Algum tempo depois eu senti um zéfiro nas pernas e apressei o passo cautelosamente. Eu podia ouvir o estrondo de uma cascata, se ela estivesse no caminho certamente haveria um precipício em algum lugar naquele caminho. Ao dobrar uma curva eu vi uma luz ao longe. Caminhei rapidamente até ela.

Deparei-me com uma gigantesca caverna com o teto côncavo e pontilhado de estalactites. Uma grande cachoeira caia de um ponto muito alto com enorme estrondo sobre um lago de águas cristalinas. A luminosidade provinha de uma abertura no teto que mostrava que lá fora fazia um belo dia ensolarado. Da plataforma em que eu estava eu podia ver outro túnel que começava na margem oposta ao lago. Parecia que o único jeito de chegar àquele túnel era atravessando o lago. E o único jeito de atravessar o lago era pulando nele. Calculei que, de onde eu estava, a plataforma deveria ter uns quinze metros de altura e o lago uns cinco de profundidade. Com sorte eu não atingiria o fundo. Tomei fôlego, preparei-me e pulei.

Pospor

•Agosto 3, 2009 • Deixe um comentário

Devido à merda qu’é a internet à rádio, ontem eu passei o dia sem internet. Mas adivinhe! Hoje de manhã ela já estava funcionando! Milagrosamente durante o final de semana em que você fica o dia inteiro sem fazer absolutamente nada ela não entra, mas assim que o relógio bate doze vezes (aliás eu não sei porque ele bate doze vezes se é 0h) ela conecta! Dai-nos paciência Senhor para compreender os desígnios das tecnologias…

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Então! A despeito da internet ontem foi um dia de sucesso na área esportiva para este ser pensante! Comecemos pelo começo: 10h, jogo du Brésil contre les États-Unis, eu tinha dito sábado qu’ia ser uma reprise da final das Olimpíadas de Beijing… foi melhor! Cara, aquelas americanas levaram cada cacetada… também né, olha o tamanho daquela Natália (vide superfêmea); 18h, jogo do Grêmio contra o Cruzeiro n’Olímpico. Aquele juiz filho-d’uma-mãe-trabalhadora não marca um pênalti a favor do Cruzeiro?! Aí o idiota vai lá e cobra e faz 1 x 0. ¬¬’ A partir de ce moment o jogo vira, não, capota; a favor do Grêmio: dois jogadores do Cruzeiros expulsos, UM PÊNALTI GRITANTE QUE AQUELE JUIZ @#!$%^& NÃO MARCOU… Mas no final das contas as contas acabaram assim: 1 x 4.

Quer notícias melhores qu’essas para começar uma semana?! Fora… deixa pra lá, isso é assunto não-comentável Classe A. ^^’ I guess I see you guys tomorrow, if I find out anything important to write! KISS (não, não é “kiss” de beijo em inglês, é outra coisa. Se você não sabe vá procurar o que significa a sigla).

Parabéns!

•Agosto 1, 2009 • 1 Comentário

Acabei de lembrar que tenho de parabenizar as meninas da Seleção Brasileira de Vôlei! Como qualquer torcedor/jogador fanático de vôlei eu não podia deixar de assistir as partidas das nossas meninas no Grand Prix (Grande Prêmio em francês pra quem não sabe) lá no Rio! Depois do passeio que foi o jogo de ontem contra Porto Rico eu acordei hoje, às 9h55min pra assistir o jogo pensando: “Uh! Hoje vai dar pedreira!” ¬¬ O que foi aquele fiasco das alemãs? Dels! Parecia a semifinal das Olimpíadas contra Cuba que não passava nada no bloqueio! *-* Simplesmente não tem pra matar o Brasil! Chame-o do que quiser, para mim é o País do Voleibol! Com certeza amanhã veremos mais uma reprise da final das Olimpíadas! LOL

Brasiuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!

As meninas comemorando um ponto na patida contra a Alemanha

As meninas comemorando um ponto na patida contra a Alemanha

Nota de rodapé: Grand Prix se pronuncia |gr’ã-pr’i|. Não esqueça qu’os erres são fortes como em ‘‘churrasco’’. Fikdik ^^

Palavras Cruzadas

•Agosto 1, 2009 • 2 Comentários

Esse famigerado passatempo é, para os viciados, um vício. Sabe, há algum tempo eu venho devorando os jornais diários que recebemos em casa em busca das palavras cruzadas. E ouso dizer qu’estou ficando bom nisso! A meu ver esse é um passatempo utilíssimo, posto que além de sua função primordial, a de passar o tempo, é um excelente extensor de vocabulário e amolador do raciocínio rápido e da memória. Os primeiros registros históricos de jogos parecidos com palavras cruzadas remontam ao Antigo Egito (como quase sempre), mas a primeira publicação moderna foi no jornal New York World em 1913, nos États-Unis (como quase sempre [2]), por Arthur Wynne. Mais a frente, na Segunda Guerra Mundial (AH! Acabei de me lembrar do post de baixo!), os ingleses passaram a utilizar as palavras cruzadas para criar e/ou decifrar códigos. O brasileiro mais famoso no ramo do cruciverbalismo (esse é o nome da profissão) chama-se Euro Oscar (o.o) e já ganhou vários concursos de palavras cruzadas, tanto na elaboração quanto na decifração, tanto nacionais como internacionais.

Então, para mim fazer palavras cruzadas não é mais apenas um passatempo divertoso divertido, é um homework. É sério, eu percebi a mudança depois de começar a fazer palavras cruzadas todos os dias: eu me viciei você pensa mais rápido, você lembra mais rápido das coisas; o que é muito útil na hora de aprender uma língua nova! Se você der de cara com um puzzle bem elaborado, você pode encontrar desde perguntas sobre Química, História, Matemática (eu já vi um que pedia a raiz quadrada de 121), Português (é o que mais aparece), Inglês, Espanhol, Francês (lol), Literatura; par exemple, agora eu estou fazendo uma que pede Personagem principal da obra ‘Madame de Bovary’”. Eu já estudei isso no Realismo, foi a obra inaugural do Realismo na França. Agora pergunte, já leu? Não, não li. Mas agora quando eu descobrir eu já vou saber. E vai que cai no vestibular isso? E se eu nunca tivesse resolvido essa palavra cruzada eu não saberia (obviamente eu não irei atrás de ler o livro)! Concluo hoje com um conselho: você qu’está aqui lendo esse post, não saia, não vá ler um livro (nesse instante, mas vá depois! Ah! E leia “Os Vermes”); cliquez ici: http://www.terra.com.br/palavrascruzadas/ e dê uma treinadinha! As minhas favoritas são as do estilo sueco. Fikdik

À la prochaine!

Obis: O nome da personagem do livro “Madame de Bovary” do Gustave Flaubert é Emma. ; )

Flashback

•Agosto 1, 2009 • 2 Comentários

Acabou de me ocorrer uma passagem bíblica lembrança de uma aula de História que nos dá grandes lições de moral. Sabe, a nossa professora de História é enorme. Sim, ela é meio-gigante. Provavelmente também é filha da nossa queria Fridwulfa (se você disse “Quem?!”, taca no Google e leia só a primeira linha abaixo do “wikilink”). HAHAHAHA! Fugindo do contexto, numa aula de Biologia (as aulas de Biologia rendem pérolas hilárias, usualmente) o professor discorria sobre genética. Falava sobre defeitos e anomalias gênicas causadas pela má disposição dos pares genéticos, como Down, Klinefelter etc.; e ele mencionou que recentemente havia sido descoberta uma nova síndrome que acometia (somente?) as mulheres. Era causada por uma trissomia nos cromossômos heterossômicos, aqueles que determinam o sexo. Assim uma mulher anômala não seria XX mas XXX. Aí alguém perguntou qual era o nome daquela doença. HAHAHAHA! O professor disse que os indivíduos com essa anomalia eram chamados de “Superfêmeas”. Teriam comportamento agressivo, pêlos excedentes pelo corpo, basicamente um excesso de testosterona (não, não foi comprovado seu ligamento ao lesbianismo). Então ele virou-se para o quadro enquanto a turma esatava, milagrosamente, em silêncio. E alguém disse: “A D**** (professora d’História) deve ser uma dessas Superfêmeas então! Porque, meu Deus!, ‘repara’ o tamanho daquilo!”. Mas pra quê. Foi tipo, QUA QUA QUA QUA QUA QUA QUA QUA QUA. Voltando ao assunto sério que me levou a gastar htmls, as aulas da D**** são irremediavel e infalivelmente enfadantes e repetitivas. As únicas coisas que mudam de uma semana para outra são o conteúdo (às vezes) e a roupa dela. Sim, só a dela. Os alunos usam uniformes. Então, estávamos um belo dia à espera da professora Hulk D**** na sala de aula.

Era um sábado, gelado, nós tínhamos quatro períodos de aula e o dela era, se não me falha a memória, o terceiro (mas poderia ser o segundo, nada impede. A não ser que algum colega meu me contradiga em um comentário dizendo que era realmente o segundo, ou ainda, o primeiro. Quiçá o quarto!). Então ela entrou na sala de aula, não sei como ela passa com tamanha desenvoltura e tamanho corpanzil pela estreita porta, e disse bom-dia. Ralos alunos a responderam. Ela s’ajeitou na mesa que lhe cabia (não, ela não estava tentando subir em cima da mesa e ali permanecer em qualquer posição) e fez a chamada. Quando ela levantou-se para iniciar a aula e eu tive uma ideia luminosa.

- Professora! Nós não estamos afim de ter aula de História hoje! Queremos conversar!

- Bom, nós podemos conversar. Desde que seja um assunto ligado à História!

Aí uma colega intrometida guinchou disse:

- Hitler! Vamos falar sobre Hitler!

- Ah! Segunda Guerra! É um assunto bem bacana.

A seguir transcorreram-se aproximadamente 50 minutos de nazismo e morte judaica e matação de tempo e aprendizado de duas importantes lições de moral e nazismo e assassínio e matação de tempo e morte judaica e chacinas e câmaras de gás e nazismo e campos de concentração nazistas na Alemanha nazista na época em que o nazismo reinava e os nazistas eram livres e viviam em um país nazista, casavam-se com nazistas em uma igreja nazista cujo pároco era nazista, tinham filhos nazistas e mais tarde netos nazistas (acho que não deu tempo pra tanto), pensavam no nazismo, falavam sobre o nazismo mas conversavam em alemão, não necessariamente nessa ordem.

Morais da história:

Numéro Un: professoras meio-gigantes d’História são sucetíveis a desvio de conduta mediante adequada influência e manipulação de alunos endiabrados e nada dispostos a 50 minutos de Brasil Império.

Numéro Deux: seres humanos são atraídos pela carnificina. A tragédia é um eficiente chamariz da atenção humanoide. A história humana é a única marcada por conflitos, traição e guerras sangrentas e sangrudas. Nenhum outro animal racional tem tal histórico de brutalidade como o ser humano. Deve ser um resquício de uma mente primitiva, selvagem, brutal e sedenta por sangue que todos temos, porque de uma forma ou de outra as histórias das guerras sempre facinaram os ouvidos humanos. Então, se quiser distrair alguém em qualquer situação, não puxe conversa sobre o tempo! Fale sobre Hitler! A Guerra de Troia! A Guerra dos Cento e Dezesseis Cem Anos! Ih! Tem várias. Clique aqui para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras.

Paris, oito de fevereiro de 2012, 23h40min

•Agosto 1, 2009 • 3 Comentários

Um homem alto, branco, loiro e de aproximadamente 30 anos caminhava pela Avenida Champs-Elysées em Paris. Ele usava um sobretudo preto que lhe cobria do pescoço aos pés, e um chapéu que lhe sombreava a face, nada indicaria que aquele homem bem agasalhado contra o frio estava caminhando para cometer um assassinato. Dentro do hotel ele parou na recepção, mera precaução.

- Bonsoir, puis-je vous aider monsieur?

- Oui, je voudrais parler avec mademoiselle Héloïse Fointainebleux, s’il vous plaît.

- Veuillez patienter, s’il vous plaît. Elle est dans la chambre 354.

- Merci beaucoup.

Ele entrou no elevador e subiu até o terceiro andar do hotel. Caminhou por um corredor de mármore, passando por lustrosas portas de cedro libanês cor de âmbar e maçanetas d’ouro. Lustres de cristal pendiam do teto como cascatas de d’água, delicadas lamparinas a óleo presas nas paredes lançavam sombras bruxuleantes pelo chão. Ele parou em frente à porta do quarto número 354. Aproximou-se e escutou o som de um chuveiro ligado. A porta estava trancada, mas ele conseguiu abri-la com um cartão magnético. Entrou.

O quarto era luxuoso. Uma cama de dossel, com colchas douradas de linho, grandes travesseiros que parecias ser feitos de pena de ganso, as cortinas do dossel eram de um veludo vermelho vivo, contrastando belamente com o dourado das colchas e dos bordados nos travesseiros. Uma grande TV de plasma na parede oposta, e próximo à janela havia uma grande tela, uma reprodução de um Caravaggio. Ele se sentou na cama, acendeu um cigarro e esperou.